Mostrando postagens com marcador escritor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escritor. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de outubro de 2012

O escritor Edgar Allan Poe faleceu em 07 de outubro de 1849

Frases de Edgar Allan Poe:
"Tudo o que vemos ou parecemos / não passa de um sonho dentro de um sonho."
"Para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto."
"Não é na ciência que está a felicidade, mas na aquisição da ciência."
"Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas que escapam a quem sonha só de noite."

Segundo filho de David Poe e Elizabeth Arnold, ambos atores, Edgar Poe ficou órfão ainda criança e foi adotado por um casal rico de Richmond, Virgínia, Jonh Allan e Frances Kelling Allan. Isso lhe permitiu ter uma educação de qualidade, bem como fazer uma longa viagem pela Inglaterra, Escócia e Irlanda com os pais adotivos.

Regressou aos Estados Unidos em 1822 e continuou seus estudos sob a orientação dos melhores professores dessa época. Dois anos depois, entrou para a Universidade de Charlotesville, distinguindo-se tanto pela inteligência quanto pelo temperamento inquieto, que o levou a ser expulso da escola.

A seguir, verificou-se um período ainda pouco esclarecido na vida de Poe, no qual se registram viagens fora dos Estados Unidos. Retornou a seu país em 1829 e manifestou desejo de seguir a carreira militar. Foi admitido na célebre Academia de West Point, mas acabou expulso poucos meses depois por indisciplina.

Com a morte da mãe adotiva, John Allan voltou a casar-se, com uma mulher muito jovem que lhe deu dois filhos. Isso impediu que Poe se tornasse herdeiro da fortuna paterna e ele se afastou da casa do pai adotivo, deixando Richmond. Após um período de relativa dificuldade, conheceu uma certa prosperidade ao vencer simultaneamente os concursos de conto e poesia promovidos pela revista "Southern Literary Messager".

O fundador da publicação, Thomas White, convidou-o a dirigir a revista que rapidamente se impôs ao público. Durante dois anos, Poe esteve a frente do periódico, onde pôde exibir seu talento, que se manifestava num estilo novo, no conto e na poesia, bem como pelos artigos de crítica literária que revelavam seu rigor e sensibilidade estética.

Escritor bem-sucedido, Poe casou-se com Virginia Clemm. Entretanto, ao fim de dois anos, White cortou relações com o escritor, que já desenvolvera a doença do alcoolismo. Poe passou a produzir como "free-lancer", em grande quantidade, mas sem ganhar o suficiente para manter uma vida digna e saudável, o que o levou a afundar-se ainda mais na bebida.

A morte de sua mulher agravou o problema. O escritor passou a suicidar-se aos poucos, bebendo cada vez mais e já sofrendo os primeiros ataques de delirium tremens. Numa viagem a Nova York, para tratar de negócios, parou em Baltimore e hospedou-se numa taberna onde se distraiu durante horas bebendo com amigos. Era a noite de 6 de outubro de 1849. O escritor morreu na madrugada do dia 7, aos 40 anos.

Hoje Poe é um escritor estudado e cultuado em todo o Ocidente. Entre suas obras destacam-se: The Raven (O Corvo, poesia, 1845), Annabel Lee (poesia, 1849) e o volume Histórias Extraordinárias (1837), onde aparecem seus contos mais conhecidos, como "A Queda da Casa dos Usher", "O Gato Preto", "O Barril de Amontillado", "Manuscrito encontrado numa Garrafa", entre outros, considerados obras-primas do terror.

domingo, 30 de setembro de 2012

Bartolomeu Campos de Queirós vence prêmio São Paulo 'in memorian'

Os escritores Bartolomeu Campos de Queirós e Suzana Montoro foram os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2012, entregue em cerimônia nesta segunda-feira, no Museu da Língua Portuguesa. Queirós, morto em janeiro, venceu na categoria Melhor Livro do Ano com a obra Vermelho Amargo (Cosac Naify, 72 páginas, 39,90 reais), considerada “inesquecível” pelo júri. Já Suzana levou o prêmio de Melhor Livro do Ano – Autor Estreante com Os Hungareses (Ofício das Palavras, 192 páginas, 30 reais).
Bartolomeu Campos de Queirós
Suzana Montoro
Em Vermelho Amargo, o narrador lembra a história de sua infância, marcada pela ausência da mãe e a convivência com uma madrasta indiferente, num relato com “intensa qualidade poética”, segundo os jurados do prêmio. Os Hungareses conta a saga de um grupo de imigrantes húngaros tentando se estabelecer no interior de São Paulo. O júri justificou sua escolha ao classificar a escrita de Suzana Montoro como “fluente e sensível".
Os escritores foram escolhidos a partir de uma lista com 20 finalistas, dez em cada categoria. Dentre os finalistas, estavam Adriana Lunardi, Hélio Pólvora, Bernardo Kucinski e Eliane Brum. O júri foi composto pela professora Helena Bonito Couto Pereira, o escritor e professor Fernando Augusto Magalhães Paixão, o livreiro Lucio Claudio Zaccara, o crítico literário Fábio Lucas Gomes e o bibliotecário Djair Rodrigues de Souza.
O prêmio é organizado pela Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo desde 2008 e é inspirado pelo Booker Prize, premiação britânica focada em romances. Apesar de ter “São Paulo” no nome, autores de todo o Brasil podem concorrer ao prêmio literário, que oferece o maior valor em dinheiro aos vencedores, 200.000 reais para cada um.

Fonte: Site Revista Veja

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Homenagem a José Lins do Rego falecido em 12/09/57

 BIOGRAFIA
José Lins do Rego (J. L. do R. Cavalcanti) foi romancista e jornalista. Nasceu no Engenho Corredor, Pilar, PB, em 3 de junho de 1901, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de setembro de 1957.
Filho de João do Rego Cavalcanti e de Amélia Lins Cavalcanti, fez os primeiros estudos no Colégio de Itabaiana, PB, no Instituto N. S. do Carmo e no Colégio Diocesano Pio X de João Pessoa. Depois estudou no Colégio Carneiro Leão e Osvaldo Cruz, em Recife. Desde então revelaram-se seus pendores literários. É de 1916, o primeiro contato com O Ateneu, de Raul Pompéia. Em 1918, aos 17 anos, José Lins travou conhecimento com Machado de Assis, através do Dom Casmurro. Desde a infância, já trazia consigo outras raízes, do sangue e da terra, que vinham de seus pais, passando de geração em geração por pessoas  ligadas ao mundo rural do Nordeste açucareiro.
Passou a colaborar no Jornal do Recife. Em 1922 fundou o semanário Dom Casmurro. Formou-se em 1923 na Faculdade de Direito do Recife. Durante o curso, ampliou seus contatos com o meio literário pernambucano, tornando-se amigo de José Américo de Almeida, Osório Borba, Luís Delgado e Aníbal Fernandes. Sua amizade com Gilberto Freyre, na volta em 1923 de uma  temporada de estudos universitários nos Estados Unidos, marcou novas influências no espírito de José Lins, através das idéias novas sobre a formação social brasileira.
Nomeado em 1925 promotor em Manhuçu, MG, não se demorando. Casado em 1924 com D. Filomena (Naná) Masa Lins do Rego, transferiu-se em 1926 para a capital de Alagoas, onde passou a exercer as funções de fiscal de bancos até 1930 e fiscal de consumo de 1931 a 1935. Em Maceió, tornou-se colaborador do Jornal de Alagoas e passou a fazer parte do grupo de Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Valdemar Cavalcanti, Aloísio Branco e Carlos Paurílio. Ali publicou o primeiro livro, Menino de engenho (1932), obra que se revelou de importância fundamental na história do moderno romance brasileiro. Além das opiniões elogiosas da crítica, sobretudo de João Ribeiro, o livro mereceu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Em 1933, publicou Doidinho, o segundo livro do "Ciclo da Cana-de-Açúcar".
Em 1935, já nomeado fiscal do imposto de consumo, José Lins do Rego transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a residir. Integrando-se plenamente no ambiente carioca, continuou a fazer jornalismo, colaborando em vários jornais com crônicas diárias. Revelou-se, então, por essa época, a faceta esportiva de sua personalidade, sofrendo e vivendo as paixões desencadeadas pelo futebol, o esporte de sua predileção, foi torcedor do Flamengo. Foi secretário geral da Confederação Brasileira de Desportos de 1942 a 1954.
Romancista da decadência dos senhores de engenho, sua obra baseia-se em memórias e reminiscências. Seus romances levantam todo um sistema econômico de origem patriarcal, com o trabalho semi-escravo do eito, ao lado de outro aspecto importante da vida nordestina, ou seja, o cangaço e o misticismo. O autor desejaria que a sua obra romanesca fosse dividida: Ciclo da cana-de-açúcar: Menino de engenho, Doidinho, Bangüê, Fogo morto e Usina; Ciclo da cangaço, misticismo e seca: Pedra Bonita e Cangaceiros; Obras independentes: a) com ligações nos dois ciclos: Moleque Ricardo, Pureza, Riacho Doce; b) desligadas dos ciclos: Água-mãe e Eurídice.
Prêmios recebidos: Prêmio da Fundação Graça Aranha, pelo romance Menino de engenho (1932); Prêmio Felipe d'Oliveira, pelo romance Água-mãe (1941), e Prêmio Fábio Prado, pelo romance Eurídice (1947).
Bibliografia
Romance: Menino de engenho (1932); Doidinho (1933); Bangüê (1934); O moleque Ricardo (1935); Usina (1936); Pureza (1937); Pedra Bonita (1938); Riacho Doce (1939); Água-mãe (1941); Fogo morto (1943); Eurídice (1947); Cangaceiros (1953); Romances reunidos e ilustrados, 5 vols. (1980).
Memórias: Meus verdes anos (1956).
Literatura infantil: Histórias da velha Totônia (1936).
Crônicas: Gordos e magros (1942); Poesia e vida (1945); Homens, seres e coisas (1952); A casa e o homem (1954); Presença do Nordeste na literatura brasileira (1957); O vulcão e a fonte (1958).
Viagem: Bota de sete léguas (1951); Roteiro de Israel (1955); Gregos e troianos (1957).
Filmes: Pureza, direção de Chianca de Garcia (1940); Menino de engenho, direção de Valter Lima (1965); Fogo morto, direção de Marcos Farias (1976).
Romances de José Lins do Rego foram traduzidos na Alemanha, Argentina, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália, Portugal e Coréia.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Jorge Amado ganha exposição em sua homenagem

Se vivo, Jorge Amado completaria 100 anos no mês de agosto. Para comemorar a data, autor ganha exposição.
Jorge Amado passeia na praia ao lado da esposa, Zélia Gattai
Jorge Amado e Zélia Gattai na praia
 
“Sou um escritor do lado do pobre contra o rico, do futuro contra o passado, da liberdade contra a opressão, da fartura contra a miséria, do socialismo contra o capitalismo.” Tal afirmação, feita pelo próprio Jorge Amado no  curta-metragem “A Casa do Rio Vermelho”, dirigido por  Fernando Sabino e David Neves em 1974, mostra que ninguém poderia descrevê-lo melhor do que ele mesmo.
Nascido em 10 de agosto de 1912 em uma fazenda de cacau, no Sul da Bahia, o escritor foi casado por 56 anos com a também escritora Zélia Gattai. Amado morreu em 6 de agosto de 2001 e Zélia sete anos depois, em maio de 2008.
Amigo e parceiro de importantes artistas como o autor Graciliano Ramos e o músico Dorival Caymmi, Jorge Amado chegou a lançar  mais de 30 livros, que foram traduzidos para 49 idiomas. “Gabriela, Cravo e Canela”, um de seus romances mais famosos, teve o maior número de traduções: 32 idiomas.
A história também ganhou  adaptação para a televisão em 1975. Marcando o imaginário dos brasileiros com a famosa personagem vivida por Sônia Braga, a novela trouxe novos amantes ao rico mundo literário de Amado.
Em comemoração ao centenário de nascimento do escritor, o autor Walcyr Carrasco está escrevendo uma readaptação de “Gabriela”, que traz Juliana Paes no personagem central – a estreia está marcada para julho. Para Carrasco, levar as criações do escritor para outros formatos colabora com a disseminação de sua obra. “O Brasil é um país sem memória e apesar da importância de Jorge Amado no panorama de nossa literatura, hoje encontramos muitos jovens que não conhecem sua obra. Por isso, levar ‘Gabriela’ para a TV é uma forma de estimular o interesse por toda a sua literatura”, afirma.
Outra mídia a abraçar a grandiosidade da criação de Jorge Amado foi o cinema, com diversos filmes, dentre eles, “Capitães da Areia”, do ano passado, que foi dirigido por Cecília Amado, filha de Jorge.
um homem políticoAlém da  universalidade de sua escrita, um dos motivos pelo qual Amado viajou para muitos países foi a sua atividade no Partido Comunista. Militante ativo,  viu-se confrontado ideologicamente após descobrir os crimes contra a liberdade cometidos por Joseph Stalin, um dos principais governantes soviéticos da história.
De acordo com Myriam Fraga, diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, o autor condenou durante toda a sua vida os totalitarismos existentes. “A partir do momento em que ele descobriu as atrocidades cometidas na URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) começou a se afastar do partido. Porém, ele nunca abandonou seus princípios. Continuava socialista, mas democrático, já que nas palavras dele mesmo ‘a miséria do mundo são os regimes totalitários’”, afirma a diretora.
Pela forte perseguição dos militares à ideologia comunista que norteou a vida e obra do autor, Amado teve de se exilar na França em 1950. Essa viagem colocou o escritor em contato com grandes intelectuais como os escritores Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir e o pintor Pablo Picasso.
Homenagens /  Integrando o calendário de comemoração de seu centenário, começa hoje, no Museu da Língua Portuguesa, a exposição  “Jorge, Amado e Universal”. Segundo William Nacked, diretor geral da empresa que dirige o evento, a estrutura da exposição foge dos padrões didáticos. “Queríamos lançar um olhar diferente sobre ele, mais para o pessoal, o intelectual e o político, acrescentando a isso o contexto histórico”, explica Nacked.
O espaço trará uma ambientação de paisagens da Bahia, construída com elementos artesanais, como a montagem do Mercado Municipal de Salvador, local de extrema importância na vida e obra do autor.
O acervo será dividido em quatro setores. “O primeiro terá Jorge falando dele mesmo. No segundo, quem fala são conhecidos como o artista Carybé e o político cubano Fidel Castro. Na terceira parte, quem aparece falando dele é quem não o conheceu, dizendo o que faria se o conhecesse. E, para completar, o espaço Jorge Universal vai reunir informações relacionadas ao escritor espalhadas por mais 70 países”, explica.
Depois de São Paulo, a exposição viajará para o Museu de Arte Moderna, na Bahia. O evento seguirá  pelo país, mas há previsão de levá-lo também ao exterior. “Está quase fechado para ir, em 2013, para a feira do livro de  Frankfurt, na Alemanha, a maior do ramo do mundo, na qual o homenageado do ano é o Brasil”, revela.
Reportagem de Matheus Marestoni
Fonte: Diário de São Paulo 

domingo, 15 de abril de 2012

Dia 16 de abril nasceu o escritor Ronaldo Simões Coelho

Ronaldo Simões Coelho (São João del-Rei, 16 de abril de 1932) é um psiquiatra e escritor brasileiro de literatura infantil.

 Ronaldo Simões Coelho por ele mesmo:

"Nasci há 75 anos em São João del-Rei, cidade histórica de Minas, onde nasceu também, muito tempo antes de mim, Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira. Mas só fiquei sabendo disso muito tempo depois. Contaram-me que nasci de olhos fechados, orelhas viradas para baixo (meu pai prendeu cada uma com esparadrapo no lugar certo), feio de fazer dó.

Eu já tinha cinco irmãos mais velhos do que eu. Depois de mim veio mais um. Éramos 6 homens e uma moça. Eu, mais tarde, imitei meus pais: tenho 6 filhos marmanjos e uma única filha.

Minha casa vivia cheia de gente: parente, tias (quem quiser conhecer minha tia avó mais chegada, leia “Tia Delica”, livro que escrevi sobre nossa relação com ela), avós, tios, e uma quantidade incontável de primos e visitantes e amigos. Na enorme mesa, quitutes e quitandas, fartura de delícias, risos e conversas, gente à beça em volta. Tinha um tio que chegava recitando seus poemas favoritos, muitos dos quais sei até hoje; primos com medo de não passarem de ano; esportistas do futebol do vôlei, da natação; os piadistas; os maniados em cinema; os perseguidos políticos pela ditadura de Getúlio Vargas, etc. Havia os estudiosos, os que viviam lendo. Eu entrei nesse time logo que aprendi a ler e a escrever. E nunca mais parei. Era fácil isso, pois livro não faltava na nossa casa. Uns me davam medo, como aquele que se chamava “Podem os vivos falar com os mortos?”, enquanto outros me atraíam, como as aventuras de Tarzan, tudo que havia de Julio Verne, de Erico Veríssimo e, a maior das descobertas: Monteiro Lobato.

A menos de 100 metros de minha casa ficava a Biblioteca Municipal, que comecei a freqüentar desde cedo. O bibliotecário era um sábio, grande músico, além de ser exímio sapateiro, a mesma profissão do pai de Hans Christian Andersen, que também era músico. Ele me introduziu na leitura de Dom Quixote e de outros clássicos. E foi por isso que lhe dediquei um dos meus livros, “Pérola Torta”, tantos anos depois. Há dois anos fui homenageado nessa biblioteca e quase morri de emoção.

Como lá em casa havia a coleção do Tesouro da Juventude, eu o devorei inteiro aos 9 anos de idade.

Havia uma coleção de livros da Melhoramentos que a gente chamava de coleção dos 1500, pois o preço de cada exemplar era 1500 réis. Pequenos, de capa dura, tinham de tudo, desde histórias das Mil e Uma Noites até biografias de escritores. A gente comprava, trocava, emprestava, vendia. Até hoje tenho muitos deles.

Minhas lembranças do grupo escolar, das professoras primárias (muitas delas com quem me comunico até hoje), das férias na terra de minha mãe, onde passávamos pelos anões da Terra Caída, catávamos ouro nas ruas depois das chuvas, explorávamos cavernas, ouvíamos a história da preguiça gigante, do cavalo-da-meia-noite, conhecemos a louca que falava sozinha e que cortava lenha noite e dia, o Três-Orelhas, a Chica Papuda, o Chico Brugudum, o Vica Véia, o homem da mão postiça, a velha careca, o médico doido e o padre maluco.

Tomávamos conta dos passinhos (vejam meu livro “A pedra com o menino”) ou jogávamos bola no adro da igreja (vejam meu livro “O caso dos ponteiros do relógio”), brincávamos de gude, cabra-cega, pular-carniça, pique, pião, diabolô, faroeste, papagaio e mais uma porção de outras brincadeiras, além de freqüentarmos aulas de latim, de matemática, de ciências.

Música era ao vivo, no coreto ou no teatro. Havia discos, com uma música de cada lado, que a gente tocava na vitrola, sendo preciso trocar as agulhas (umas eram douradas e outras prateadas) a cada cinco ou seis discos ouvidos.

Como não existia televisão, uma vez por semana se ia ao cinema, onde faroestes se sucediam, além das aventuras do Capitão Marvel, que era o herói invencível em que se transformava um menino ao gritar a palavra SHAZAM. Esta palavra mágica queria dizer que o herói tinha a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Outro herói era o Fantasma. E tudo era seriado, continuava na outra semana.

Era muito bom aprender xadrez com o sô Miguel, quando tínhamos por volta de 6 anos. Sô Miguel morava lá no fundo, numa casinha, tinha sido criado por um padre, sabia latim, português, xadrez. Foi nosso mestre. Fui visitá-lo, muitos anos depois, em São Paulo, onde morava com seus 15 filhos.

Lembro dos cheiros que vinham da cozinha e do pátio, onde fogão de lenha e forno de cupim funcionavam o dia inteiro. Cheirosa era também a roupa de cama.

Meu pai fazia esculturas com miolo de pão. Meu irmão logo acima de mim aprendeu a arte e também passou a vida fazendo cachos de flores, animais, piorras, etc. Minha mãe era loura e tinha os olhos azuis. Muito alegre, só a vi muito, mas muito triste mesmo, na época da guerra, quando nossa cidade recebeu jovens do Brasil inteiro, os pracinhas, convocados para ir lutar na Itália contra os alemães.

Depois eu fui pro ginásio, depois mudei pra Belo Horizonte, estudei medicina, casei, tive filhos, contava histórias pra eles e virei escritor de livros para crianças, o que é ótimo, até pela quantidade de gente pequena e grande que passei a conhecer por esse mundo afora."
Belo Horizonte, 2007.

sábado, 14 de abril de 2012

Aluísio de Azevedo nasceu em 14 de abril de 1857

Considerado o pioneiro do naturalismo no Brasil, o romancista Aluísio de Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão em 14 de abril de 1857. Quando jovem ele fazia caricaturas e poesias, como colaborador, para jornais e revistas no Rio de Janeiro. Seu primeiro romance publicado foi: Uma lágrima de mulher, em 1880.
Fundador da cadeira número quatro da Academia Brasileira de Letras e crítico social, este escritor naturalista foi autor de diversos livros, entre eles estão: O Mulato, que provocou escândalo na época de seu lançamento, Casa de Pensão, que o consagrou e O Cortiço, conhecido com sua obra mais importante.
Este autor, que não escondia seu inconformismo com a sociedade brasileira e com suas regras, escreveu ainda outros títulos: Condessa Vésper, Girândola de Amores, Filomena Borges, O Coruja, O Homem, O Esqueleto, A Mortalha de Alzira, O livro de uma Sogra e contos como: Demônios.
Durante grande parte de sua vida, Aluísio de Azevedo viveu daquilo que ganhava como escritor, mas ao entrar para a vida diplomática ele abandonou a produção literária.
Faleceu em Buenos Aires, Argentina, no dia 21 de janeiro de 1913.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Hoje é Dia Internacional do Livro Infanto-juvenil aniversário de nascimento de Hans Christian Andersen

Hans Christian Andersen nasceu na Dinamarca na cidade de Odense em  2 de Abril de 1805e faleceu em Copenhague, 4 de Agosto de 1875)Hans Christian Andersen era filho de um sapateiro e sua família morava num único quarto. Apesar das dificuldades, ele aprendeu a ler desde muito cedo e adorava ouvir histórias.

A infância pobre deu a Andersen a chance de conhecer os contrastes de sua sociedade, o que influenciou bastante as histórias infantis e adultas que viria a escrever. Em 1816, seu pai morreu e ele, com apenas 11 anos, precisou abandonar a escola, mas já demonstrava aptidão para o teatro e a literatura.

Aos 14 anos, Andersen foi para Copenhague, onde conheceu o diretor do Teatro Real, Jonas Collin. Andersen trabalhou como ator e bailarino, além de escrever algumas peças. Em 1828, entrou na Universidade de Copenhague e já publicava diversos livros, mas só alcançou o reconhecimento internacional em 1835, quando lançou o romance "O Improvisador".

Apesar de ter escrito romances adultos, livros de poesia e relatos de viagens, foram os contos infantis que tornaram Hans Christian Andersen famoso. Até então, eram raros livros voltados especificamente para crianças.

Em suas histórias Andersen buscava sempre passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela sociedade, mostrando inclusive os confrontos entre poderosos e desprotegidos, fortes e fracos. Ele buscava demonstrar que todos os homens deveriam ter direitos iguais.

Entre 1835 e 1842, Andersen lançou seis volumes de "Contos" para crianças. E continuou escrevendo contos infantis até 1872, chegando à marca de 156 histórias. No final de 1872, ficou muito doente e permaneceu com a saúde abalada até 4 de agosto de 1875, quando faleceu, em Copenhague.

Graças à sua contribuição para a literatura para a infância e adolescência, a data de seu nascimento, 2 de abril, é hoje o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Além disso, o mais importante prêmio internacional do gênero leva seu nome.

Anualmente, a International Board on Books for Young People (IBBY) oferece a Medalha Hans Christian Andersen para os maiores nomes da literatura infanto-juvenil. A primeira representante brasileira a ganhá-la foi Lygia Bojunga, em 1982.

Entre os títulos mais divulgados da obra de Andersen encontram-se: "O patinho feio", "O soldadinho de chumbo", "A roupa nova do Imperador", "A pequena sereia" e "A Menina dos Fósforos". São textos que fazem parte do imaginário da maioria das crianças do mundo desde sua publicação até a atualidade, tendo sido adaptados para o cinema, o teatro, a televisão, o desenho animado, etc.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Morreu aos 88 anos de idade o escritor Millôr Fernandes

O escritor Millôr Fernandes morreu aos 88 anos de idade no Rio de Janeiro na noite de ontem (27). A informação só foi divulgada na manhã desta quarta-feira (28).
Millôr foi um dos fundadores do jornal O Pasquim e um dos representantes da imprensa nanica, que levou o humor às publicações alternativas na época da forte censura do Regime Militar.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O comediante escritor Chico Anysio morre aos 80 anos

Foi autor de 21 livros, tendo publicado vários best-sellers na década de 70, como "O Batizado da vaca", "O telefone amarelo" e "O enterro do anão". Sua última publicação foi “O canalha”, lançada em 2000.
“É a história do cara que participou de todos os governos, desde Eurico Gaspar Dutra até o primeiro mandato de Fernando Henrique. Foi ele o responsável por todas as canalhices que ocorreram de lá para cá, como dar um revólver de presente a Getúlio Vargas”, explicaria o escritor Chico Anysio em entrevista à revista “Época”, no mesmo ano.
Outra de suas obras de destaque na literatura é o bem humorado manual “Como segurar seu casamento”, também de 2000. Na época, advertiu os leitores: “Não dou conselhos, transmito os erros que cometi e foram cometidos em cinco casamentos. Conviver é a arte de conceder. Essa troca de concessões gera a convivência harmônica”, comentou.

Caricatura feita pelo ilustrador capixaba Amarildo Lima  para o livro “É MENTIRA CHICO?”, editado pelo Ziraldo. O livro mostra 70 personagens criados pelo genial Chico Anysio.
A Biblioteca Monteiro Lobato homenageia este grande artista que deixará saudades também no campos da literatura.
Segue um trecho do livro: O batizado da vaca


Moacyr Scliar faria 75 anos no dia 23 de março

  Moacyr Scliar (nascido em Porto Alegre em 1937, faleceu em Porto Alegre em 2011)
Autor de 74 livros em vários gêneros: romance, conto, ensaio, crônica, ficção infanto-juvenil. Obras suas foram publicadas nos Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália, Rússia, Tchecoslováquia, Suécia, Noruega, Polônia, Bulgária, Japão, Argentina, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Canadá e outros países, com grande repercussão crítica.Detentor dos seguintes prêmios, entre outros: Prêmio Academia Mineira de Letras (1968), Prêmio Joaquim Manoel de Macedo (Governo do Estado do Rio, 1974), Prêmio Cidade de Porto Alegre (1976), Prêmio Brasília (1977), Prêmio Guimarães Rosa (Governo do Estado de Minas Gerais, 1977), Prêmio Jabuti (1988, 1993 e 2000,2009), Prêmio Casa de las Americas (1989), Prêmio Pen Club do Brasil (1990), Prêmio Açorianos (Prefeitura de Porto Alegre, 1997 e 2002), Prêmio José Lins do Rego (Academia Brasileira de Letras, 1998), Prêmio Mário Quintana (1999).
Foi professor visitante na Brown University (Department of Portuguese and Brazilian Studies), e na Universidade do Texas (Austin) nos Estados Unidos.
Foi colunista dos jornais Zero Hora (Porto Alegre), Folha de São Paulo e Correio Brasiliense; colaborando com vários órgãos da imprensa no país e no exterior. Tem textos adaptados para o cinema, teatro, tevê e rádio, inclusive no exterior.
Era médico, especialista em Saúde Pública e Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Ocupava a cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras.
Duas influências são importantes na obra de Scliar. Uma é a sua condição de filho de imigrantes.
A outra influência é a sua formação de médico de saúde pública, que lhe oportunizou uma vivência com a doença, o sofrimento e a morte, bem como uma conhecimento da realidade brasileira.
O que é perceptível em obras ficcionais, como “A Majestade do Xingu” e não-ficcionais, como “A Paixão Transformada: História da Medicina na Literatura.”
Scliar dedicava especial atenção à literatura infanto-juvenil, na qual tem várias obras publicadas, a maioria classificada como “Altamente Recomendável” pela Biblioteca Nacional.
“Escrevendo para os jovens eu reencontro o jovem leitor que fui”, afirma.
Obrigado Moacyr Scliar pelo seu talento e por tudo que você deixou para seus leitores. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Paulo Coelho: o mago escritor

Nascido no dia 24 de agosto de 1947, no Rio de Janeiro, Paulo Coelho já vendeu quase 65 milhões de exemplares de seus livros, traduzidos para 56 idiomas em mais de 150 países.  
O alquimista, seu primeiro trabalho de grande repercussão, lançado em 1988, é o livro brasileiro mais bem-sucedido de todos os tempos, com 11 milhões de exemplares vendidos. O título é recomendado por diversos cursos de MBA e foi adotado por escolas de mais de 30 países. Os direitos de adaptação da história para o cinema foram adquiridos pela Warner Brothers, que deu ao ator Laurence Fishburne a incumbência de dirigir e produzir o filme.
Onze minutos foi o livro mais vendido do mundo em 2003, segundo a revista americana Publishing Trends, feito ainda mais surpreendente se se considerar que o romance ainda não tinha sido lançado nos EUA, Japão e outros dez países, o que só aconteceria em 2004. O livro alcançou o primeiro lugar de vendagem em todos os países onde foi editado, exceto na Inglaterra, onde ficou na segunda posição. Em sua obra, destacam-se também Brida, As Valkírias , Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei , Maktub , O Monte Cinco , O manual do guerreiro da luz , Veronika decide morrer , O Zahir e O demônio e a Srta. Prym . Além disso, Paulo Coelho assina uma coluna no jornal carioca O Globo e em diários de mais de 30 países. Suas histórias já inspiraram peças de teatro, sinfonias, um jogo eletrônico, um musical e uma telenovela mundo afora. Dentre os diversos títulos de prestígio que ostenta, o autor é conselheiro especial da Unesco para diálogos interculturais e convergências espirituais, ocupa a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras e é membro da diretoria da Schwab Foundation for Social Entrepreneurship, da Shimon Peres Foundation e da Lord Menuhin Foundation. Já foi convidado seis vezes consecutivas para participar da reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça. Recebeu o Prêmio Bambi de Personalidade Cultural do Ano (Alemanha, 2001), o Prêmio Fregene de Literatura (Itália, 2001), o título de Oficial de Artes e Letras (França, 2003), a Legião de Honra (a mais prestigiada condecoração francesa, em 2001), a Ordem do Rio Branco (Brasil) e muitas outras honrarias.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...