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domingo, 30 de setembro de 2012

Bartolomeu Campos de Queirós vence prêmio São Paulo 'in memorian'

Os escritores Bartolomeu Campos de Queirós e Suzana Montoro foram os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2012, entregue em cerimônia nesta segunda-feira, no Museu da Língua Portuguesa. Queirós, morto em janeiro, venceu na categoria Melhor Livro do Ano com a obra Vermelho Amargo (Cosac Naify, 72 páginas, 39,90 reais), considerada “inesquecível” pelo júri. Já Suzana levou o prêmio de Melhor Livro do Ano – Autor Estreante com Os Hungareses (Ofício das Palavras, 192 páginas, 30 reais).
Bartolomeu Campos de Queirós
Suzana Montoro
Em Vermelho Amargo, o narrador lembra a história de sua infância, marcada pela ausência da mãe e a convivência com uma madrasta indiferente, num relato com “intensa qualidade poética”, segundo os jurados do prêmio. Os Hungareses conta a saga de um grupo de imigrantes húngaros tentando se estabelecer no interior de São Paulo. O júri justificou sua escolha ao classificar a escrita de Suzana Montoro como “fluente e sensível".
Os escritores foram escolhidos a partir de uma lista com 20 finalistas, dez em cada categoria. Dentre os finalistas, estavam Adriana Lunardi, Hélio Pólvora, Bernardo Kucinski e Eliane Brum. O júri foi composto pela professora Helena Bonito Couto Pereira, o escritor e professor Fernando Augusto Magalhães Paixão, o livreiro Lucio Claudio Zaccara, o crítico literário Fábio Lucas Gomes e o bibliotecário Djair Rodrigues de Souza.
O prêmio é organizado pela Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo desde 2008 e é inspirado pelo Booker Prize, premiação britânica focada em romances. Apesar de ter “São Paulo” no nome, autores de todo o Brasil podem concorrer ao prêmio literário, que oferece o maior valor em dinheiro aos vencedores, 200.000 reais para cada um.

Fonte: Site Revista Veja

quarta-feira, 21 de março de 2012

Lançamento do livro: "A Filha da Preguiça" lançamento póstumo de Bartolomeu Campos de Queirós

O escritor Bartolomeu Campos de Queirós morreu em 16 de janeiro. Deixou muitos livros, todos cheios de poesia. Um deles, "A Filha da Preguiça", Bartolomeu não chegou a ver publicado.
Ele será lançado na próxima semana pela editora Autêntica, mas a "Folhinha" publica com exclusividade o primeiro capítulo do livro. Confira a seguir.
"Foi um nascimento preguiçoso. A gravidez da mãe durou sete anos e sete meses sem jamais a cria indolente chutar sua barriga.
A mulher chegou a pensar que esperava uma boneca de pano, daquelas recheadas de retalhos de pano e cabelos de cordas desfiadas, vendidas em feiras de artesanato. Os vizinhos comentavam que era doença o tamanho de sua barriga. Era barriga d'água, gordura acumulada ou nasceria um jardim de infância. O certo é que o ventre quase alcançava os pés.
A gestante comia com o prato sobre a barriga por não alcançar a mesa. O pai foi dormir na sala pela falta de espaço na cama. Sem sono, o marido virava as noites tocando um bandolim, daquele que também possuía uma barriga arredondada como se grávido de música. Dedilhava cantigas de ninar com tanta nostalgia que até o sonho dormia. A mãe ansiosa e sofredora parecia casada com a própria barriga.
Mas a menina veio ao mundo na noite de São João, a mais longa noite do ano. Nasceu com sete quilos e setecentos gramas. Só chorou três anos depois. Choro sem barulho. As lágrimas escorreram dos olhos e precisaram de sete dias para tocar nos lábios, e, salgadas, a menina sentiu que estava temperada.
A família, desolada com o silêncio da recém-nascida, começou a debulhar rezas, cantar orações, rogar benzeduras. Deu água do sino para a menina beber, língua de papagaio cozida, e nada. Apelou para a medicina. Os médicos, depois de setecentos exames, afirmaram desconhecer caso semelhante. Acabaram medicando o tempo como o melhor remédio. Disseram que toda criança chora ao inaugurar-se no mundo e que a vida doía para todos. Mas era uma criança saudável.
A filha continuou calada, sem um resmungo, sem um gemido, sem meio suspiro. E o pior, gastava quase duas horas para abrir e fechar os olhos. Trancava a boca e não aceitava o leite da mãe. Parecia enfarada, enjoada. Deitada no berço, não se movia, como uma boneca, agora de carne e osso. De meia em meia hora respirava devagarinho, e todos sabiam que vivia. Tinha um olhar de quem não queria ver nada, mãos que não seguravam nada, ouvidos que só apreciavam o silêncio."
"A Filha da Preguiça"
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós
Ilustradora: Marta Neves
Editora: Autêntica
 Fonte desta matéria: Folha.com
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