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sexta-feira, 23 de março de 2012

O comediante escritor Chico Anysio morre aos 80 anos

Foi autor de 21 livros, tendo publicado vários best-sellers na década de 70, como "O Batizado da vaca", "O telefone amarelo" e "O enterro do anão". Sua última publicação foi “O canalha”, lançada em 2000.
“É a história do cara que participou de todos os governos, desde Eurico Gaspar Dutra até o primeiro mandato de Fernando Henrique. Foi ele o responsável por todas as canalhices que ocorreram de lá para cá, como dar um revólver de presente a Getúlio Vargas”, explicaria o escritor Chico Anysio em entrevista à revista “Época”, no mesmo ano.
Outra de suas obras de destaque na literatura é o bem humorado manual “Como segurar seu casamento”, também de 2000. Na época, advertiu os leitores: “Não dou conselhos, transmito os erros que cometi e foram cometidos em cinco casamentos. Conviver é a arte de conceder. Essa troca de concessões gera a convivência harmônica”, comentou.

Caricatura feita pelo ilustrador capixaba Amarildo Lima  para o livro “É MENTIRA CHICO?”, editado pelo Ziraldo. O livro mostra 70 personagens criados pelo genial Chico Anysio.
A Biblioteca Monteiro Lobato homenageia este grande artista que deixará saudades também no campos da literatura.
Segue um trecho do livro: O batizado da vaca


quarta-feira, 21 de março de 2012

Lançamento do livro: "A Filha da Preguiça" lançamento póstumo de Bartolomeu Campos de Queirós

O escritor Bartolomeu Campos de Queirós morreu em 16 de janeiro. Deixou muitos livros, todos cheios de poesia. Um deles, "A Filha da Preguiça", Bartolomeu não chegou a ver publicado.
Ele será lançado na próxima semana pela editora Autêntica, mas a "Folhinha" publica com exclusividade o primeiro capítulo do livro. Confira a seguir.
"Foi um nascimento preguiçoso. A gravidez da mãe durou sete anos e sete meses sem jamais a cria indolente chutar sua barriga.
A mulher chegou a pensar que esperava uma boneca de pano, daquelas recheadas de retalhos de pano e cabelos de cordas desfiadas, vendidas em feiras de artesanato. Os vizinhos comentavam que era doença o tamanho de sua barriga. Era barriga d'água, gordura acumulada ou nasceria um jardim de infância. O certo é que o ventre quase alcançava os pés.
A gestante comia com o prato sobre a barriga por não alcançar a mesa. O pai foi dormir na sala pela falta de espaço na cama. Sem sono, o marido virava as noites tocando um bandolim, daquele que também possuía uma barriga arredondada como se grávido de música. Dedilhava cantigas de ninar com tanta nostalgia que até o sonho dormia. A mãe ansiosa e sofredora parecia casada com a própria barriga.
Mas a menina veio ao mundo na noite de São João, a mais longa noite do ano. Nasceu com sete quilos e setecentos gramas. Só chorou três anos depois. Choro sem barulho. As lágrimas escorreram dos olhos e precisaram de sete dias para tocar nos lábios, e, salgadas, a menina sentiu que estava temperada.
A família, desolada com o silêncio da recém-nascida, começou a debulhar rezas, cantar orações, rogar benzeduras. Deu água do sino para a menina beber, língua de papagaio cozida, e nada. Apelou para a medicina. Os médicos, depois de setecentos exames, afirmaram desconhecer caso semelhante. Acabaram medicando o tempo como o melhor remédio. Disseram que toda criança chora ao inaugurar-se no mundo e que a vida doía para todos. Mas era uma criança saudável.
A filha continuou calada, sem um resmungo, sem um gemido, sem meio suspiro. E o pior, gastava quase duas horas para abrir e fechar os olhos. Trancava a boca e não aceitava o leite da mãe. Parecia enfarada, enjoada. Deitada no berço, não se movia, como uma boneca, agora de carne e osso. De meia em meia hora respirava devagarinho, e todos sabiam que vivia. Tinha um olhar de quem não queria ver nada, mãos que não seguravam nada, ouvidos que só apreciavam o silêncio."
"A Filha da Preguiça"
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós
Ilustradora: Marta Neves
Editora: Autêntica
 Fonte desta matéria: Folha.com

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Como escolher um bom livro para as crianças

Algumas dicas para selecionar as melhores leituras para as crianças:
 Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI236361-15201,00-OS+MELHORES+LIVROS+INFANTIS.html

Depende da Posição

Segundo estudos recentes, parado, fortalece a coluna; de cabeça baixa estimula a circulação do  sangue; de barriga para cima é mais prazeroso; sozinho, é estimulante, mas egoísta; em grupo, pode até ser divertido; no banho pode ser arriscado; no automóvel, é muito perigoso... Com frequência, desenvolve a imaginação; entre duas pessoas, enriquece o conhecimento; de joelhos, o resultado pode ser doloroso... Enfim, sobre a mesa ou no escritório, antes de comer ou na sobremesa, sobre a cama ou na rede, nus ou vestidos, sobre o sofá ou no tapete, com música ou em silêncio, emprestado ou comprado, entre lençóis ou no closet, sempre é um ato de amor e de enriquecimento. Não importa a idade, nem a raça, nem a crença, nem o sexo, nem a posição socioeconômica...Ler é sempre um prazer! Definitivamente, ler nos leva a desfrutar da imaginação... você acabou de experimentar esse fato.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

LEIS DE RANGANATHAN



As leis de Ranganathan são cinco leis fundamentais instituidas para a Biblioteconomia pelo pensador indiano Shiyali Ramamrita Ranganathan e que vigoram até os dias atuais. Ranganathan era um professor de matemática indiano interessado em biblioteconomia que cursou na Inglaterra. Foi autor do livro "The Five Laws of Library Science" (1931), formado na Inglaterra, aborda pontos importantíssimos da Biblioteconomia moderna com suas cinco Leis.
Estas leis podem ser resumidas da seguinte forma:

  1. Os livros são para serem usados - o livro é um meio que impulsiona o conhecimento. E podemos observar a importância de uma biblioteca na seguinte frase: "quem tem informação, tem poder". Aponta para o livro como um meio e não como tendo um fim em si mesmo.
  2. Todo leitor tem seu livro - o bibliotecário deve fazer o estudo dos usuários, observando a clientela para preparar o acervo. Aponta para a seleção de acordo com o perfil do usuário.
  3. Todo livro tem seu leitor - refere-se a disseminação da informação, em que se deve divulgar os livros existentes em cada biblioteca. Aponta para a importância da divulgação do livro, sua disseminação, antecipando a estética da recepção.
  4. Poupe o tempo do leitor - a arrumação e catalogação dos documentos diminui o tempo necessário para encontrar a informação desejada. Aponta para o livre acesso às estantes, o serviço de referência e a simplificação dos processos técnicos.
  5. Uma biblioteca é um organismo em crescimento - o bibliotecário deve controlar esse crescimento, verificando qual a informação que está sendo usada, através de estatísticas da consulta e empréstimo. Decorre da explosão bibliográfica que exige atualização das coleções e previsão do crescimento da área ocupada pela biblioteca.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ORIGEM DAS EXPRESSÕES QUE UTILIZAMOS NO NOSSO DIA-A-DIA

A auxiliar de biblioteca Patrícia do turno da noite fez um cartaz com origens de palavras e expressões do nosso cotidiano, por isso colocamos mais algumas para vocês.  
O DIABO A QUATRO - A expressão é de origem francesa (faire le diable à quatre) e provém de representações teatrais medievais, em que o diabo frequentemente aparecia. Para diabrurinhas, lá vinham um ou dois diabos; para diabruras de porte, o autor da representação usava quatro diabos, que faziam um grande barulho e confusão.
FAZER A BARBA - é uma expressão que hoje não tem lógica. Não se faz a barba; na verdade, desfaz-se a barba, que cresceu, fez-se sozinha. A frase surgiu quando a moda era usar barba; aparava-se a barba para que ela ficasse com boa aparência. Em outras palavras e com lógica, fazia-se a barba.
BOCÓ - A palavra francesa boucaut ( um saco feito de pele de bode para transporte de líquidos) veio de bouc (bode) e deu no espanhol bocoy. Daí chegou ao brasileirismo bocó para designar um saco feito de couro de tatu. Como bocó não tem tampa, ficando sempre aberto, a palavra passou a se aplicar à pessoa palerma, tola, que vive de boca aberta, em pasmo permanente.
CAFONA - Do italiano cafone, indivíduo grosseiro, caipira. Ou seja, é etimologicamente correto dizer que música caipira é cafona.
CINDERELA - Do inglês Cinderella. O latim cineris, cinzas, gerou o francês cendre, daí passou para o inglês cinder. A jovem heroína do conto de Perrault se chamava Cendrillon em francês e Cinderella em inglês porque, após os serviços domésticos, ficava num canto da sala, sentada sobra as cinzas da chaminé. Em português, as cinzas de um braseiro são chamadas de borralho, de borra (sobra) + a terminação depreciativa -alho. Daí a Cinderela também ser chamada por Gata Borralheira.
MEIA-TIGELA - De meia-tigela-tigela é sem valor insignificante. Na época da monarquia portuguesa, o povo da corte (criados, pajens, oficiais...) que não habitava nem contava ainda com o vale-refeição, era alimentado no local do trabalho. A comida era servida de acordo com as rações prescristas no Livro da Cozinha del Rei e a porção de cada um variava de acordo com a importância do serviço prestado. E assim havia gente de tigela inteira e gente de meia-tigela.

 Outras origens de expressões e palavras estão no livro A casa da mãe Joana do escritor Reinaldo Pimenta e este livro está disponível para empréstimo na Biblioteca Monteiro Lobato.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sugestão de livro "Para gostar de ler 3".


Este livro contém várias crônicas de Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Carlos Drumond de Andrade e Fernando, é um gostoso de ler, logo abaixo temos uma crônica de Carlos Drumond de Andrade. 
O Assalto
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.
Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assun tar. Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do módulo lunar.
Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia jóias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.
Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pêlo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:
— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— Eles entraram na Kombi ali adiante!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?
— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro assalto!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DICA DE LEITURA

O menino do pijama listrado. Autor : John Boyne. 192 páginas / 1ª Edição 2007.
O livro trata de Holocausto um assunto que parece estar esgotado, mas John Boyne escreve sob a visão de um garoto alemão de 5 anos de idade. O livro é de linguagem clara e fácil.
SINOPSE
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que a sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. 'O menino do pijama listrado' é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.
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