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quinta-feira, 22 de março de 2012

Dica de livro Dia Mundial da Água – 22 de março: Chuá... Chuá... Tchibum!

Chuá... Chuá... Tchibum!
Editora Ática
Brita Granstrom e Mick Manning
2008


O que é? O que é? A maior parte do nosso planeta é coberta por ela; todo ser vivo precisa dela para sobreviver; sem ela ficamos com aquela sede! Você sabe do quê estamos falando? Da Água, claro, este recurso natural tão precioso e necessário à nossa sobrevivência. E já que ele é tão importante assim para nós, precisamos conhecê-lo melhor, certo? Então, vamos juntos mergulhar nesta leitura e desvendar todos os seus segredos e curiosidades!

“Chuá...Chuá...Tchibum!” é um livro curioso e divertido. Ele fala sobre a água em diversas formas: água da chuva, do mar, dos rios e das cachoeiras e até a que consumimos em casa. Falando nisso, você sabe de onde vem a água que cai do seu chuveiro quando você toma banho? Ela sai de represas e percorre um longo caminho, passando por campos, colinas e estradas, até chegar a um tanque que a reserva. De lá, ela abastece toda a cidade, inclusive o seu bairro e a sua casa!

Depois que tomamos banho, por exemplo, a água suja que escorre no ralo vai para o esgoto e, em alguns lugares, segue para as estações de tratamento. As estações são bem legais! Nelas, a água suja passa por peneiras e telas, até ficar livre das impurezas. E aí ela é finalmente despejada no mar. Ufa! O caminho é longo!

E a água da chuva, como será que ela se forma? Como ela vai parar nas nuvens antes de cair sobre a Terra? As nuvens, na verdade, são formadas por pequenas gotas de água. Os ventos fazem a nuvem se desmancharem e essas gotículas caírem em forma de chuva. As nuvens mais pesadas podem carregar tantas gotas que acabam se tornando uma forte tempestade.

“Chuá...Chuá...Tchibum” desvenda estes e outros tantos mistérios sobre a água. Tem muita coisa sobre ela que precisamos saber, principalmente para conseguirmos preservá-la. Não é só no Dia Mundial da Água – 22 de março – que devemos prestar atenção neste recurso, não é mesmo? O Dia da Água deveria ser todos os dias do ano! Você concorda?
Fonte: Planeta Sustentavel Abril

quarta-feira, 21 de março de 2012

Lançamento do livro: "A Filha da Preguiça" lançamento póstumo de Bartolomeu Campos de Queirós

O escritor Bartolomeu Campos de Queirós morreu em 16 de janeiro. Deixou muitos livros, todos cheios de poesia. Um deles, "A Filha da Preguiça", Bartolomeu não chegou a ver publicado.
Ele será lançado na próxima semana pela editora Autêntica, mas a "Folhinha" publica com exclusividade o primeiro capítulo do livro. Confira a seguir.
"Foi um nascimento preguiçoso. A gravidez da mãe durou sete anos e sete meses sem jamais a cria indolente chutar sua barriga.
A mulher chegou a pensar que esperava uma boneca de pano, daquelas recheadas de retalhos de pano e cabelos de cordas desfiadas, vendidas em feiras de artesanato. Os vizinhos comentavam que era doença o tamanho de sua barriga. Era barriga d'água, gordura acumulada ou nasceria um jardim de infância. O certo é que o ventre quase alcançava os pés.
A gestante comia com o prato sobre a barriga por não alcançar a mesa. O pai foi dormir na sala pela falta de espaço na cama. Sem sono, o marido virava as noites tocando um bandolim, daquele que também possuía uma barriga arredondada como se grávido de música. Dedilhava cantigas de ninar com tanta nostalgia que até o sonho dormia. A mãe ansiosa e sofredora parecia casada com a própria barriga.
Mas a menina veio ao mundo na noite de São João, a mais longa noite do ano. Nasceu com sete quilos e setecentos gramas. Só chorou três anos depois. Choro sem barulho. As lágrimas escorreram dos olhos e precisaram de sete dias para tocar nos lábios, e, salgadas, a menina sentiu que estava temperada.
A família, desolada com o silêncio da recém-nascida, começou a debulhar rezas, cantar orações, rogar benzeduras. Deu água do sino para a menina beber, língua de papagaio cozida, e nada. Apelou para a medicina. Os médicos, depois de setecentos exames, afirmaram desconhecer caso semelhante. Acabaram medicando o tempo como o melhor remédio. Disseram que toda criança chora ao inaugurar-se no mundo e que a vida doía para todos. Mas era uma criança saudável.
A filha continuou calada, sem um resmungo, sem um gemido, sem meio suspiro. E o pior, gastava quase duas horas para abrir e fechar os olhos. Trancava a boca e não aceitava o leite da mãe. Parecia enfarada, enjoada. Deitada no berço, não se movia, como uma boneca, agora de carne e osso. De meia em meia hora respirava devagarinho, e todos sabiam que vivia. Tinha um olhar de quem não queria ver nada, mãos que não seguravam nada, ouvidos que só apreciavam o silêncio."
"A Filha da Preguiça"
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós
Ilustradora: Marta Neves
Editora: Autêntica
 Fonte desta matéria: Folha.com

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ORIGEM DAS EXPRESSÕES QUE UTILIZAMOS NO NOSSO DIA-A-DIA

A auxiliar de biblioteca Patrícia do turno da noite fez um cartaz com origens de palavras e expressões do nosso cotidiano, por isso colocamos mais algumas para vocês.  
O DIABO A QUATRO - A expressão é de origem francesa (faire le diable à quatre) e provém de representações teatrais medievais, em que o diabo frequentemente aparecia. Para diabrurinhas, lá vinham um ou dois diabos; para diabruras de porte, o autor da representação usava quatro diabos, que faziam um grande barulho e confusão.
FAZER A BARBA - é uma expressão que hoje não tem lógica. Não se faz a barba; na verdade, desfaz-se a barba, que cresceu, fez-se sozinha. A frase surgiu quando a moda era usar barba; aparava-se a barba para que ela ficasse com boa aparência. Em outras palavras e com lógica, fazia-se a barba.
BOCÓ - A palavra francesa boucaut ( um saco feito de pele de bode para transporte de líquidos) veio de bouc (bode) e deu no espanhol bocoy. Daí chegou ao brasileirismo bocó para designar um saco feito de couro de tatu. Como bocó não tem tampa, ficando sempre aberto, a palavra passou a se aplicar à pessoa palerma, tola, que vive de boca aberta, em pasmo permanente.
CAFONA - Do italiano cafone, indivíduo grosseiro, caipira. Ou seja, é etimologicamente correto dizer que música caipira é cafona.
CINDERELA - Do inglês Cinderella. O latim cineris, cinzas, gerou o francês cendre, daí passou para o inglês cinder. A jovem heroína do conto de Perrault se chamava Cendrillon em francês e Cinderella em inglês porque, após os serviços domésticos, ficava num canto da sala, sentada sobra as cinzas da chaminé. Em português, as cinzas de um braseiro são chamadas de borralho, de borra (sobra) + a terminação depreciativa -alho. Daí a Cinderela também ser chamada por Gata Borralheira.
MEIA-TIGELA - De meia-tigela-tigela é sem valor insignificante. Na época da monarquia portuguesa, o povo da corte (criados, pajens, oficiais...) que não habitava nem contava ainda com o vale-refeição, era alimentado no local do trabalho. A comida era servida de acordo com as rações prescristas no Livro da Cozinha del Rei e a porção de cada um variava de acordo com a importância do serviço prestado. E assim havia gente de tigela inteira e gente de meia-tigela.

 Outras origens de expressões e palavras estão no livro A casa da mãe Joana do escritor Reinaldo Pimenta e este livro está disponível para empréstimo na Biblioteca Monteiro Lobato.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sugestão de livro "Para gostar de ler 3".


Este livro contém várias crônicas de Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Carlos Drumond de Andrade e Fernando, é um gostoso de ler, logo abaixo temos uma crônica de Carlos Drumond de Andrade. 
O Assalto
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.
Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assun tar. Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do módulo lunar.
Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia jóias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.
Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pêlo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:
— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— Eles entraram na Kombi ali adiante!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?
— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro assalto!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Este texto faz parte do livro FEBEAPÁ 1, 2 e 3 disponível para empréstimo

A Vontade do Falecido

Seu Irineu Boaventura não era tão bem-aventurado assim, pois sua saúde não era lá para que se diga. Pelo contrário, seu Irineu ultimamente já tava até curvando a espinha, tendo merecido, por parte de vizinhos mais irreverentes, o significativo apelido de “Pé-na-Cova”. Se digo significativo é porque seu Irineu Boaventura realmente já dava a impressão de que, muito brevemente, iria comer capim pela raiz, isto é, iam plantar ele e botar um jardinzinho por cima.
Se havia expectativa em torno do passamento do seu Irineu? Havia sim. O velho tinha os seus guardados. Não eram bens imóveis, pois seu Irineu conhecia de sobra Altamirando, seu sobrinho, e sabia que, se comprasse terreno, o nefando parente se instalaria nele sem a menor cerimônia. De mais a mais, o velho era antigão: não comprava o que não precisava e nem dava dinheiro por papel pintado. Dessa forma, não possuía bens imóveis nem ações. A erva dele era viva. Tudo guardado em pacotinhos, num cofrão verde que ele tinha no escritório.
Nessa erva é que a parentada botava olho grande principalmente depois que o velho começou a ficar com aquela cor de uma bonita tonalidade cadavérica. O sobrinho, embora mais mau-caráter do que o resto da família, foi o que teve a atitude mais leal, porque, numa tarde em que seu Irineu tossia muito, perguntou assim de supetão:
_Titio, se o senhor puser o bloco na rua, pra quem é que fica o seu dinheiro, hem?
O velho, engasgado de ódio, chegou a perder a tonalidade cadavérica e ficar levemente ruborizado, respondendo com voz rouca:
_Na hora em que eu morrer, você vai ver, seu cretino.
Alguns dias depois, deu-se o evento. Seu Irineu pisou no prego e esvaziou. Apanhou um resfriado, do resfriado passou à pneumonia, da pneumonia passou ao estado de coma e do estado de coma não passou mais. Levou pau e foi reprovado.[…]
_ Bota titio na mesa da sala de visitas – aconselhou Altamirando; e começou o velório. Tudo que era parente com razoáveis esperanças de herança foi velar o morto. Mesmo parentes desesperançados compareceram ao ato fúnebre(8), porque estas coisas vocês sabem bem como são: velho rico, solteirão, rende sempre um dinheirão. Horas antes do enterro, abriram o cofrão verde onde havia sessenta milhões em cruzeiros, vinte em pacotinhos de “Tiradentes” (9) e quarenta em pacotinhos de “Santos Dumont” (10):
_O velho tinha menos dinheiro do que eu pensava – disse alto o sobrinho.
E logo adiante acrescentava baixinho:
_Vai ver, gastava com mulher.
Se gastava ou não, nunca se soube. Tomou-se – isto sim – conhecimento de uma carta que estava cuidadosamente colocada dentro do cofre, sobre o dinheiro. E na carta o velho dizia: “Quero ser enterrado junto com a quantia existente nesse cofre, que é tudo o que eu possuo e que foi ganho com o suor do meu rosto, sem a ajuda de parente vagabundo nenhum.” E, por baixo, a assinatura com firma reconhecida para não haver dúvida: Irineu de Carvalho Pinto Boaventura.
Pra quê! Nunca se chorou tanto num velório sem se ligar pro morto. A parentada chorava às pampas, mas não apareceu ninguém com peito para desrespeitar a vontade do falecido. Estava todo o mundo vigiando todo o mundo, e lá foram aquelas notas novinhas arrumadas ao lado do corpo, dentro do caixão.
Foi quase na hora do corpo sair. Desde o momento em que se tomou conhecimento do que a carta dizia, que Altamirando imaginava um jeito de passar o morto pra trás. Era muita sopa deixar aquele dinheiro ali pro velho gastar com minhoca. Pensou, pensou e, na hora que iam fechar o caixão, ele deu um grito de “pera aí”. Tirou os sessenta milhões de dentro do caixão, fez um cheque da mesma importância, jogou lá dentro e disse “fecha”.
_Se ele precisar, mais tarde desconta o cheque no Banco.

Stanislaw Ponte Preta, FEBEAPÁ 1, 2 e 3 - Rio de Janeiro: Agir, 2006.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DICA DE LEITURA

O menino do pijama listrado. Autor : John Boyne. 192 páginas / 1ª Edição 2007.
O livro trata de Holocausto um assunto que parece estar esgotado, mas John Boyne escreve sob a visão de um garoto alemão de 5 anos de idade. O livro é de linguagem clara e fácil.
SINOPSE
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que a sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. 'O menino do pijama listrado' é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.
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